Descobrimento do Brasil, carta de Caminha ao Rei Dom Manuel !

Comentário do Taco: fiz recentemente, janeiro 2014, uma viagem a Portugal, e confesso que confirmei minha admiração, que já se estabelecera em 2008, quando tive a oportunidade de ir a Portugal/Lisboa pela primeira vez, agora foi a segunda visita. Permitam-me externar minhas percepções, e graças a um contato fugaz, que tive com o professor do curso de velas, Sr. Rui Rodrigues, da RRMotors, que fica no píer em Cascais ! Ao parar na praia !?, difícil chamar aquilo de praia, para mim, o dia dava a impressão de estar no meio do mar, em plena fúria marítima. Muito gentilmente o Rui me recebeu, fui de chofre fazer uma pergunta sobre uma construção ao lado da praia, e aí estabelecemos um diálogo rico sobre navegações portuguesas, Portugal, portugueses, economia, etc.

Algumas conclusões:

– os portugueses eram malucos em encararem aquelas viagens, com aquelas caravelas ! Depois que vi como é ou pode ficar a costa do litoral português, refleti com meus botões, esses caras eram corajosos demais !

– Os portugueses não tinham vocação para a navegação, o que eles tinham vem um passo antes, era intuição e curiosidade, a vocação foi construída após se apoiarem nessas duas características. Fiquei ao lado do monumento aos navegantes em Lisboa, e dali se vê o delta do Tejo se abrindo para o oceano. Ao lá estar, refleti, se aqui estivesse em 1200, 1300, 1400, ou mesmo hoje, faria a pergunta – onde isso vai dar ? – e tentaria ir saber onde tudo isso termina, se termina !

– O Rui me informou que a grande sacada foi a criação da Escola de Sagres, lá Portugal construiu sua vantagem competitiva para a época, e por volta de 1560 já estava no atual Japão ! Creio que para a época Portugal seria o mesmo que os Estados Unidos eram para os anos 60, indo para a lua !!!

– Depois de terem descoberto o Brasil e montado um monte de padarias, os portugueses voltaram as costas para o Atlântico, e se renderam à União Européia ! Nada contra, mas os portugueses tem uma “colônia” de 200 milhões de bocas do outro lado do oceano, que fala o mesmo idioma !? – muito parecido – que as pessoas tem afeto com eles, apesar das brincadeiras, todos temos aqui ou ali um pouco do sangue português, ou de algum povo da península ibérica ! Aí falei para o Rui, vocês estão economicamente parados porque querem, era só fazerem uma ponte comercial mais intensa com a sua ex-colônia que as coisas poderiam melhorar, e bem !

Para entender na base, no seu início, o nosso relacionamento com Portugal, comecei pela carta de Caminha ao Rey D. Manuel, livro que está escrito no português contemporâneo e com comentários de Maria Angela Villela.

Algumas conclusões/informações obtidas da leitura do livro:

– a carta de Caminha é o primeiro artigo sobre o Brasil, assim ele é o primeiro jornalista brasileiro ! Ou não ?

– a língua portuguesa tem origem no latim falado pelos romanos !

– o Infante Dom Henrique era o cara, foi para o norte de Portugal e construiu uma frota de navios para conquistar Ceuta, cidade marroquina de domínio árabe, ponto comercial estratégico para o norte da África, essa conquista se deu em 1415 ! Conforme relatado no livro, as glórias ficaram com D. Henrique, que era um misto de sábio renascentista – foi ele que reuniu tantos conhecimentos náuticos que permitiram as navegações portuguesas – e místico-fanático, determinado em levar a fé católica aos muçulmanos e outros povos ! A partir da tomada de Ceuta teve início a era das viagens de conquistas oceânicas, chamada de era de ouro de Portugal !

– descobrimento do Brasil, estavam indo para Calecuti, na Índia, e acabaram em Porto Seguro, pequeno erro de percurso. Ou seja, somos obra do acaso !

– a tribo que “recepcionou” os portugueses era a dos Tupiniquins, do ramo Tupi, que Caminha descreve como cordial ! Beleza, os Brasil já recebeu os portugas de braços abertos, e sem arco e flechas. Pura sorte, pois se tivessem chegado na região do Espírito Santo, encontrariam os índios Aimorés, que eram antropófagos, comiam seus inimigos.

– o primeiro português a desembarcam com seu batel, barquinho, foi Nicolau Coelho.

– houve uma amistosa integração entre índios e portugueses, eles, índios, até participaram da primeira missa, e pelo descrito seguiram o rito de forma correta e respeitosa.

– alguns portugueses, 2 talvez, foram insistentemente enviados para se integrarem na tribo, mas os índios não permitiam que os portugueses lá pernoitassem !

– por fim, antes de continuarem a viagem para a Índia, deixaram aqui 4 pessoas, Diogo Dias e Afonso Ribeiro, que seriam degredados e mais 2 grumetes – mamelucos – em árabe, escravos brancos – “mameluc” a palavra original, ou seja, já deixaram por aqui “ratos de laboratório”, mas espero que tenham aproveitado a estadia e se relacionado bem com os Tupiniquins !

Na carta ao Rey está assim relatado:  Creio, Senhor, que com estes dois degredados que aqui ficam, ficam mais dois grumetes, que esta noite saíram desta nau, no esquife, fugidos para a terra. Não vieram mais. E cremos que ficarão por aqui porque amanhã de manhã, prazendo a Deus, fazemos daqui nossa partida.

E elogiando a terra Caminha escreve: Águas são muitas, infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.

https://pt.m.wikisource.org/wiki/Carta_a_El_Rei_D._Manuel_(ortografia_atualizada)

Grato ao amigo Paulo Press, que me enviou esse link acima, com a íntegra da carta de Caminha !

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