PRIMEIRO ARTIGO NA COLUNA DA REVISTA ELETRÔNICA TRANSPOONLINE !


Soja, de trem ou caminhão?


Há um assunto que vem me intrigando faz muito tempo e, como o Roberto e o Gustavo Queiroz me ofereceram esse espaço para externar minhas inquietações, visões, opiniões e dar vazão aos temas relativos ao setor de transporte de carga e logística, eis o tema: transporte de soja, com caminhões ou trens?

O Brasil, conforme dados da consultoria AgRural, irá produzir na safra 2013/2014 cerca de 89,1 milhões de toneladas de grãos de soja. Essa produção está muito concentrada no Estado de Mato Grosso, e Rondonópolis é a cidade em que essa produção orbita, a uma distância de 1.608 km do porto de Paranaguá (PR), por onde ocorre seu escoamento ao exterior.

Um caminhão bi-trem, arredondando, poderia transportar 40 toneladas de grãos. Se fizermos um cálculo simples, precisaríamos hipoteticamente de 2.227.500 viagens de caminhão para colocar essa soja no porto de Paranaguá, o que não é praticável. É essa a razão de termos um fluxo enorme de caminhões, que mais parecem uma série infindável de formiguinhas transportando a safra da soja.

Se esse transporte fosse feito inteiramente por ferrovia, aí poderíamos pegar como referência didática o trem usado pela Vale no transporte de minério de ferro no Pará-Maranhão, com 330 vagões, 3.500 metros de comprimento e capacidade de 40.000 toneladas de carga. Neste caso, seriam necessárias 2.227,5 viagens desse trem para fazer esse mesmo transporte. Algo também impraticável, creio eu.

Dessa forma, chego a uma conclusão muito simples: os dois modais devem se complementar, sendo que esse trem teria que ser abastecido com soja vinda de diversas regiões para, logisticamente, fazer sentido prático e de custo na rota desse mega-comboio. Quem levaria a soja seriam também os caminhões, portanto, o que pode resultar em outro tipo de caminhão: o veículo alimentador da rota do trem da soja, com o impacto com a redução dos caminhões de longa distância se desdobrando em um aumento dos caminhões alimentadores. Temos de supor que, em havendo facilidade de transporte, o incentivo para mais plantio de soja é automático, o que vai demandar mais caminhões também.

O artigo é puramente provocativo e incita a reflexões, pois em algum momento um trem graneleiro deverá ser introduzido no eixo Mato Grosso-Paranaguá, para escoar a soja, ou produtos agrícolas dessa região. Inevitável.


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3 Respostas para “PRIMEIRO ARTIGO NA COLUNA DA REVISTA ELETRÔNICA TRANSPOONLINE !

  1. Caro Eustaquio ,
    os exportadores tem se queixado que custa mais
    caro o frete de Campinas a Santos, de que o frete de Santos para
    a China . Imagine o custo do frete de Rondonópolis (MT) a Para –
    naguá (PR), uma distância oito vezes maior !……….

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