ANFAVEA – O PRESIDENTE MOAN FORNECE UM BELO PANORAMA EM TERMOS DE AÇÕES PARA O SETOR E LIDERADAS PELA ASSOCIAÇÃO DOS FABRICANTES DE VEICULOS ! Muito bom mesmo!

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​Data​07/08/2013​             Seção: Empresas


Hora extra no comando da Anfavea

Por Marli Olmos | De São Paulo

Pelo menos oito estudos, complexos e polêmicos, ocupam os técnicos da Anfavea. Sob pressão de Luiz Moan, o presidente da entidade que representa as montadoras, a equipe se apressa para concluir pesquisas e cálculos que darão formatos finais a trabalhos voltados à melhoria da competitividade do setor no exterior, programas de estímulo à produção de máquinas agrícolas e rodoviárias, renovação da frota de caminhões e, o desafio maior de defender o automóvel como meio de transporte.

É impossível traçar o perfil de Luiz Moan Yabiku Júnior, primeiro economista a ocupar o comando da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, sem reproduzir os detalhes de sua frenética jornada de trabalho.

Moan começou a preparar-se para o cargo com bastante antecedência. Seis meses antes da posse, que aconteceu em abril, ele iniciou conversas com os associados da entidade que ele chama de “clube de cordiais amigos” e também com o governo, setor onde transita com facilidade. As relações governamentais fazem parte da sua atividade como diretor da General Motors, onde trabalha desde 1989.

A carga horária já intensa desse descendente de filhos de imigrantes japoneses de Okinawa duplicou ao assumir a nova função. Dois dias por semana são rigorosamente dedicados a viagens, na maioria das vezes para Brasília, mas também para cidades onde há fábricas da GM. Seu plano inicial era dedicar um dia por semana para expediente integral na entidade e eventualmente um ou outro extra.

Mas tem sido frequente dirigente “bater o cartão” na Anfavea mais vezes do que o planejado. Há dias em que ele substitui reuniões presenciais na GM por vídeo conferências. Dessa forma, consegue esticar as jornadas na Anfavea.

Mas o que leva esse executivo, que até hoje lembra a vida dura que a mãe levava no trabalho em armazém de Santos (SP), cidade onde ele nasceu, a dedicar-se ao novo posto com tanto afinco?

Antes de tudo, o novo presidente da Anfavea decidiu estar disponível para o que der e vier. “Não haverá assunto proibido na entidade”, diz, ao repetir o que pediu nas conversas que teve com os presidentes das montadoras antes de assumir o cargo.

Teoricamente, a eleição de Moan foi a última a obedecer um velho sistema de rodízio, por meio do qual cinco grandes montadoras – Volkswagen, Ford, Fiat, General Motors e Mercedes-Benz – se revezaram, ao longo dos anos, no comando da entidade. Essa concentração de forças começa a mudar. Dois grupos opostos raramente faltam às reuniões de diretoria: o dos representantes das montadoras mais fortes e o das mais fracas.

Moan parece disposto a mudar a cara da Anfavea que, a exemplo de outras entidades, com o tempo perdeu boa parte do espaço como representação empresarial. Se antes a entidade orientava jornalistas a procurar as montadoras para falar sobre determinados assuntos, hoje ocorre o contrário.

Foi o presidente da Anfavea quem recentemente respondeu pelo resultado desfavorável em “crash tests” da LatinNCap com carros de duas associadas – Renault e General Motors. “Ficará a critério de cada empresa se pronunciar ou não; mas eu também me proponho a falar porque para nós agora não pode haver assunto ruim”, diz. Isso passa, diz, pelas relações trabalhistas, que voltarão a ocupar o noticiário por conta das férias coletivas.

Mas além da vontade de estar disponível, o que move Moan com frequência da região do ABC, onde mora com a esposa e trabalha, para o bairro paulistano de Moema, onde está a sede da entidade, é o trabalho. O executivo decidiu encomendar vários estudos à equipe econômica, que foi reforçada.

Entidade prepara estudo “para mostrar à sociedade que as montadoras não ganham lucros absurdos”

Na Anfavea, toda discussão considerada complexa tem que passar por duas reuniões de diretoria para aprovação. Como quase tudo o que Moan encomendou tende a suscitar o debate, o dirigente prepara-se para um longo período de discussões. Talvez seja até para criar um clima mais descontraído que essa nova gestão passou a servir um almoço aos associados antes do início das tradicionais reuniões de diretoria nas tardes das quintas-feiras.

A primeira investida nesse sentido já deu certo. Depois de exaustivas discussões, os 28 associados autorizaram a entidade levar ao governo federal uma proposta para a organização tributária para vendas de carros híbridos e elétricos no país. Há um mês, Luiz Moan entrou no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e ao entregar um punhado de papéis ao ministro Fernando Pimentel disse: “Aqui está a Missão Impossível 1”.

A duras penas, os fabricantes de automóveis deixaram de lado interesses próprios para chegar ao consenso para que o uso da eletricidade em veículos deixe de ser uma coisa que se vê apenas em outros países. “As montadoras com fábricas no Brasil são responsáveis por três quartos da produção mundial de veículos. Todas têm algum carro elétrico ou híbrido rodando em alguma parte do mundo. Mas cada uma tem a sua percepção comercial”, destaca o dirigente.

Outro estudo cuja conclusão Moan aguarda com ansiedade é o que datalhará como as vendas de carros crescem muitos mais fora das áreas metropolitanas. “Os registros na cidade de São Paulo indicam licenciamento diário de 900 veículos, em média. Mas entre 300 e 400 saem diariamente porque são transferidos para outras cidades e outros 300 a 350 são furtados ou sofrem perda total em acidentes”, afirma.

“Se levarmos em conta que sobram, então, em torno de 300 novos por dia, em pouco tempo teremos em São Paulo o que chamamos de substituição da frota existente. Com isso, o planejamento de tráfego pode ser direcionado nesse sentido.”

Moan quer ver a indústria automobilística integrada e amigável diante dos novos conceitos de mobilidade. “Porque transporte coletivo eficiente e automóvel não são contraditórios e isso é uma prova nos países desenvolvidos. As cidades mais bem servidas com transporte público são também regiões onde mais se vendem automóveis no mundo. Porque o carro ainda é e será durante centenas de anos o verdadeiro transporte ponto a ponto”.

Moan e a Anfavea têm a mesma idade. Ambos com 57 anos e uma familiaridade que vem de longe. Em 1982, ele foi trabalhar na entidade como chefe de economia e estatística. Havia desistido, na ocasião, do emprego na área de recursos humanos na Volkswagen, que ocupava desde 1975, depois de passar por uma trading, seu primeiro emprego. Já formado em economia, o desafio de trabalhar na área econômica da entidade pareceu-lhe mais atraente.

Algum tempo depois, Moan foi promovido a diretor executivo da Anfavea. Em 1989, saiu para trabalhar na GM. Foi levado por André Beer, o vice-presidente da GM que deixou a presidência da Anfavea no mesmo ano e transformou-se numa espécie de seu guru.

Apesar da longa carreira em postos de comando na indústria automobilística, durante muitos anos Moan atuou mais nos bastidores. Por isso, ele é ainda hoje figura menos conhecida publicamente do que seu antecessor, Cledorvino Belini, presidente da Fiat. Somente nos últimos anos, o executivo começou a aparecer mais em público ao assumir a frente nas negociações com o governo catarinense para a construção da fábrica de motores da GM, em Joinville, e também nas conturbadas relações como Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP).

Antonio Cruz/ABr / Antonio Cruz/ABrHabilidade nas relações com membros do governo, como o ministro Mantega, é uma marca na carreira de Moan

“Abracei agora essa missão [de presidente da Anfavea] quase como uma retribuição ao que a indústria automobilística me deu”, afirma o economista.

Em sua mesa de trabalho já está a primeira minuta do chamado Exportar Auto, apelido que a Anfavea deu à futura proposta da indústria para elevar os volumes de exportação, numa alusão ao Inovar-Auto, nome do regime automotivo. O objetivo é convencer o governo a reduzir os impostos não compensáveis, como energia elétrica dos prédios administrativos ou tributos em alimentos usados nas refeições servidas aos trabalhadores.

Outro estudo que ele encomendou à equipe é o Inovar Máquinas, voltado aos equipamentos agrícolas e máquinas rodoviárias. Será um programa para incentivar a produção nacional, segundo o dirigente, preocupado com o aumento das importações nesse segmento. Ele espera ter o trabalho pronto daqui a um mês.

Outro estudo volta-se ao detalhamento da lucratividade do setor. Moan diz que a ideia é mostrar à sociedade que as montadoras “não ganham os lucros absurdos” como muitos pensam. E a imprensa, segundo seus planos, será a primeira a ver esse trabalho.

Há outros estudos em andamento na entidade. O estímulo ao leasing é um deles. A ideia surgiu depois que as montadoras perceberam que alguns Estados cobravam dos bancos multas e débitos pendentes de usuários de carros que havia contratado essa modalidade. Em ações desse tipo, a Anfavea busca unir-se a entidades como a Febraban, que representa os bancos. No setor de máquinas, têm sido frequentes os encontros com a direção da Abimaq. Outro trabalho que inclui parcerias com outras entidades é o da renovação da frota de caminhões.

Para dar conta de todo esse expediente, Moan começa cedo. Às 7h30 ele já está no batente, o que acabou por antecipar o horário do restante da equipe. A casa da Anfavea também passa por uma reforma, iniciada na gestão de Belini. Totalmente renovado, o novo espaço aos poucos perde o ranço típico das entidades de classe. Pelo menos, essa é a ideia. Ou o desafio.

Mas engana-se quem pensa que a vida de Moan é feita só de trabalho. Com dois filhos na faixa dos 30 anos e uma neta, seus fins de semana são dedicados à família, ao descanso e ao lazer. O executivo não sabe o que é usar um smartphone, não participa de redes sociais e sequer e-mails ele lê mesmo em horário de trabalho. “Quem precisa me achar tem todos os meus números telefônicos”, diz.

Para conseguir tranquilidade nos fins de semana, Moan usa uma tática que começou a adotar em 1994, num dia em que decidiu sair da piscina da casa de praia para atender o telefone. A ligação era de uma imobiliária com uma oferta de venda. Desde então, durante os fins de semana, o executivo desliga o celular e só volta a ligá-lo a cada duas horas para ouvir eventuais mensagens na caixa postal. O ritual é sistematicamente repetido a cada 120 minutos, em horas pares.

Mas faltou abordar mais um trabalho de pesquisa em andamento na Anfavea. Moan diz já ter conversado com a equipe do Ministério da Fazenda para começar a preparar o próximo regime automotivo, com validade para o período entre 2018 a 2025 ou 2030.

Exagero? “Precisamos de planejamento. Caso contrário, investir será como jogar dinheiro pela janela”, diz. Para ele, o Inovar-Auto, em vigor desde o fim do ano passado, se voltou basicamente à “reindustrialização” do setor. O programa foi baseado na concessão de benefícios fiscais de acordo com o índice de nacionalização dos veículos. O próximo programa, prevê, se voltará para eficiência energética, segurança e competitividade

Em conversa com o ministro Pimentel, o dirigente definiu o consenso em torno do tema dos carros híbridos e elétricos com o apelido de “Missão Impossível 1”. Mas, a julgar pela quantidade de estudos em execução, muitos episódios ainda virão pela frente. É bom Moan se apressar se a ideia é seguir o ritmo da série de cinema. Tom Cruise já chegou na “Missão Impossível 4”.

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